Interessante - Exposição à radiação: consequências no corpo humano




A radiação é a propagação de energia por meio de ondas ou partículas. Existe um tipo de radiação, capaz de gerar alterações na carga elétrica de átomos e moléculas, a radiação ionizante. Esse tipo de radiação, quando possui energia maior que a energia de ligação dos elétrons de um átomo com seu núcleo, consegue arrancar um elétron dessas partículas, o que explica as alterações na carga elétrica. Tal propriedade faz com que a radiação ionizante ofereça riscos aos seres vivos.
Fontes de radiações ionizantes produzidas pelo homem são comumente encontradas nos cuidados em saúde (equipamentos de raios-x, tomografia computadorizada e radioterapia) e na produção de energia, em usinas nucleares. 
Nosso corpo, quando exposto a esse tipo de radiação, passa por alterações a nível celular. A gravidade dessas alterações varia de acordo com a quantidade e forma de exposição e também com a região do organismo que foi exposta, já que alguns tipos de célula são mais radiossensíveis, como é  caso das células da medula óssea ou células reprodutoras, por exemplo. Os efeitos da radiação podem ser estocásticos, quando ocorre uma alteração no DNA da célula, que continua se reproduzindo no organismo, ou determinísticos, que levam à morte celular. Uma das consequências da exposição à radiação, mais comumente descritas na literatura médica é o câncer, que surge devido a mutações que levam à reprodução desordenada das células, causando tumores.
Devido a todas essas alterações biológicas causadas pela radiação, existe um risco eminente que é a produção de energia nuclear. Embora seja uma energia que não traz preocupações com relação à poluição do ar, por exemplo, e represente em torno de 17% da energia elétrica mundial, a possibilidade de ocorrer um acidente é preocupante, já que muitos acidentes nucleares ocorridos ao longo da história foram devastadores e causaram muitas mortes.

A seguir, uma lista com alguns dos mais graves acidentes nucleares mundo.

Chernobyl (1986)
Considerado o maior desastre nuclear da história, o acidente que ocorreu em Chernobyl, na região da Ucrânia, em 26 de abril de 1986, foi devido a problemas técnicos em um reator da usina, o que liberou uma nuvem radioativa, com 70 toneladas de urânio e 900 de grafite, na atmosfera. Causando a morte de mais de 2,4 milhões de pessoas, o acidente de Chernobyl emitiu um volume de partículas radioativas 400 vezes maior que o emitido pela bomba atômica de Hiroshima, lançada no Japão, após a Segunda Guerra Mundial. Esse acidente alcançou o nível 7, o mais grave da Escala Internacional de Acidentes Nucleares (INES). A história desse desastre, recentemente, serviu como inspiração para a criação de uma série de  TV.




Three Mile Island (1979)
Localizada próxima a Harrisburg, capital da Pensilvânia, a central nuclear de Three Mile Island foi cenário de um acidente nuclear, em 28 de março de 1979, que alcançou o nível 5 na INES. Após um superaquecimento da usina, os técnicos optaram pela liberação de vapor e gases, o que atingiu cerca de 25 mil pessoas. Mortes não foram registradas.  

Kyshtym (Ozyorsk - 1957)
A usina de Mayak sofreu uma falha no sistema de refrigeração do compartimento de armazenamento de resíduos nucleares, o que gerou uma explosão em um tanque com 80 toneladas de material radioativo. Em torno de 200 mortes foram registradas e cerca de 10 mil pessoas precisaram ser evacuadas. 

Césio – 137 (1987)
O acidente que ocorreu no Brasil, na cidade de Goiânia, em 1987, alcançou o nível 5 na INES.O ocorrido se deu após dois catadores de papel encontrarem um aparelho de radioterapia e o levarem para um ferro-velho. Ao desmontar o aparelho, eles se depararam com uma cápsula de chumbo, com cloreto de césio em seu interior. A luz azul emitida pelo pó de césio, no escuro, chamou a atenção de Devair Ferreira, dono  do ferro velho,que distribuiu o material entre vizinhos e familiares. As pessoas que tiveram contato com o césio logo passaram a ter sintomas como vômito e diarreia e a primeira, de 11 vítimas, morreu em seis dias após contato com o material. Em torno de 100 mil pessoas foram atingidas e mais de 13 mil toneladas de lixo atômico resultou desse acidente.
Por serem relativamente recentes na história, ainda não se sabe ao certo todas as consequências biológicas dos acidentes nucleares, principalmente com relação àquelas que possam vir a ocorrer a longo prazo e nas próximas gerações. O que se sabe é que os danos da exposição à radiação podem ser irreversíveis em determinadas condições

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